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Hot rods, customs, muscle cars… O que rola no Motor Show Londrina

O Motor Show Londrina está rolando desde ontem no Autódromo Internacional Ayrton Senna e muita máquina bacana já passou por lá. O evento abre as portas para todos os tipos de veículos – hot rods, customs, clássicos da indústria nacional, muscle cars, rebaixados, motos – e levanta a bandeira do culto ao motor.

Pensamento semelhante ao dos integrantes do Road Tour, grupo de São Paulo que reúne cerca de 80 famílias unidas por um pensamento: “Lugar de hot é na estrada”. Anualmente, eles colocam os ‘hots’, customs e muscle cars na estrada em uma viagem de São Paulo a Curitiba. Na primeira edição o percurso demorou 18 horas para ser concluído; hoje, todos os carros têm mecânica atualizada e dividem a estrada com carros novos sem qualquer intercorrência.

Este ano o Road Tour aconteceu em maio, reunindo 63 carros. Para o Motor Show vieram 18 integrantes do grupo, com os mais variados tipos de veículos. O casal Andrea e Roberto Cardinale resume o espírito do grupo:

“Todo mundo aqui gosta de carro, não tem preconceito. A gente tem algumas pessoas que tem preconceito contra Fusca. No nosso grupo eles andam lado a lado com um Oldsmobile ou com um Mustang 2015 que veio com a gente, é carro zero. Está todo mundo curtindo, conversando, a paixão é pelo carro, independente de como ele é.”

Confira nossa conversa completa:

Por que customizar e não manter o carro original?

Se você pegar um carro original você vai ver que suspensão, direção, freio, é tudo muito ruim. É legal ter carro original, mas para andar hoje, para pegar estrada, que é o que a gente faz, não dá. Viemos de SP para cá, alguns carros rodaram mais de 700 km, tem que ser um carro bom. Se você pegar um original é complicado andar na estrada, com o tráfego intenso que tem hoje. Então, por isso, a ideia de customizar.

O que dá para manter do visual do carro antigo?

Tudo, se você quiser. Tem carros que têm visual totalmente original por fora só que mecânica moderna, freio bom, suspensão adaptada, caixa de direção boa. Se você pegar um antigo, suspensão é ruim, tem folga para caramba; (com o carro modificado) a gente anda no limite da via, a 120 km, como se fosse um carro novo.

Qual o conceito de hot rod?

Precisa ter uma mecânica atualizada. Você pode pegar um carro 4 cilindros e instalar nele um motor V8 e, assim, transformá-lo num hot. O conceito de hot rod é muito complexo. Tem muitas características estéticas. Tem gente que nào considera determinados anos como ‘hot’… se for levar ao pé da letra não teria nenhum ‘hot’ que veio esse ano, só veículos custom e muscle cars. Se for pegar pelo conceito mecânico, considero todos eles.

A lei brasileira não permite todos os tipos de customização de veículos. Vocês acham que deveria existir esta limitação ou cada um faz o que quer com seu carro?

Eu acho que muito mais do que você limitar a performance seria preciso você incentivar as pessoas a terem um carro seguro. Não adianta nada ter um carro 100% original se ele tiver um freio ruim, uma direção ruim, por exemplo. Ele é um risco para quem está trafegando do lado dele. Tem carro rebaixado que tem suspensão super moderna e eficiente, freios e direção idem. Então, se eles forem seguir a lei só pela lei é uma bobagem, mas quem fez esse tipo de lei não conhece (esse tipo de mercado). Nós ainda somos muito pequenos.

A cultura custom, foram do Brasil, é fortíssima, né?

Sim, não só nos Estados Unidos, mas na Europa, Japão, Austrália. A cultura dos caras é muito mais rica. A gente está começando.

Vamos chegar lá um dia?

Se Deus quiser. Eventos como este aqui já são uma oportunidade. Eventos como o que a gente faz, de colocar os carros na estrada, são diferenciais para mostrar que esses carros podem estar lado a lado com uma Mercedes zero que acabou de sair da concessionária.

“Todo mundo aqui gosta de carro, não tem preconceito.”, diz Roberto Cardinale. Nas fotos acima, ele e a esposa Andrea e os carros integrantes do grupo

O customizador

Customizar é justamente o trabalho de Lucas Sisti, 23. Formado em Desenho Industrial-Design de Produto, há dois anos ele abriu a Sisti Custom e deu asas a uma paixão de criança, quando já gostava de mexer nas bicicletas e nas motos e carros antigos do pai. Sisti ocupou um box no Motor Show para expor seu trabalho.

Conversamos com ele lá:

A gente percebe que a cultura custom tem crescido em Londrina…

Está crescendo bastante a demanda, especialmente por motos Cafe Racer e Bobber.

Explica para a gente o que é cada uma delas.

Cafe Racer o pessoal faz mais nas motinhas mais pequenas: 125cc, 250cc, 400cc. Esse estilo vem desde antigamente, a galera pegava as motos para correr e tirava o máximo de peso dela, fazia com aerodinâmica para correr, torná-la mais ágil; hoje o pessoal liga mais para o visual. A Bobber tem o guidão mais alto, a frente mais alongada, posição mais confortável para viajar.

E a sua moto, o que você fez nela?

Ela é uma Harley Blackline 2012, 1600cc. Troquei guidão, fiz tanque caixão, paralama, banco, espacamento, filtro de ar…mexi nela inteira. Sobrou, basicamente, quadro, motor e roda. É um trabalho que demora cerca de dois meses, mexendo direto na moto.

Por que customizar e não deixar a moto original?

Acredito que tem que colocar teu estilo na moto, sua personalidade. Se você passa com uma moto original vai ver um monte igual a sua, tem que deixar exclusiva. Eu faço pintura de capacete, galera me procura bastante para fazer capacete exclusivo.

Lucas Sisti em sua Harley e detalhes de outras customizações do mecânico

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