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Criador do Motor Show quer transformar Londrina na ‘capital a motor’ do País

Rafael Casagrande classifica o Motor Show como uma evolução de todos os eventos que já realizou nos seus quase 25 anos de atuação no setor. A feira chegou a Londrina em 2016 e, mesmo prejudicada pela chuva, reuniu cerca de 5 mil pessoas no Autódromo Internacional Ayrton Senna. Em entrevista ao Autos Papos, Casagrande revela planos ambiciosos para a cidade: transformá-la na “capital a motor do Brasil”.

“Ano passado a gente apresentou este projeto de não concentrar as atividades do Motor Show somente no Autódromo, de fazer com que a cidade respire o evento em um final de semana, assim como acontece na ExpoLondrina”, afirma.

Após a segunda edição do evento, que acontece  no próximo fim de semana (11 e 12 de novembro), o projeto deve ser levado adiante. A organização espera atrair 20% mais público nesta edição, que chega com muitas novidades (falamos sobre a programação aqui).

Confira na íntegra a entrevista com Casagrande.

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Rafael Casagrande no pré-evento do Motor Show

Autos Papos: Como surgiu o Motor Show?

Rafael Casagrande: O Motor Show é uma evolução de todos os eventos que eu já realizei. Quando começou o movimento, com o filme Velozes e Furiosos, eu ia todo ano para uma feira nos Estados Unidos e surgiu a ideia de fazer uma feira em Curitiba, aí surgiu o CWB Tuning Show, que era para carros tunados. Foi o evento que mais levei público na minha vida, fomos capa da revista Veja, congestionamos a BR, uma loucura. Tinha umas 20 mil pessoas para fora. Aí, me formei em consultoria de gestão de eventos, hoje sou profissional da área, fiz pós em gestão esportiva e comecei a fazer eventos em pavilhões, feiras comerciais. Mas hoje para fazer evento em pavilhão o custo é muito alto, então decidi levar para Autódromo, também porque hoje o público não quer só ver o carro parado. No autódromo, em determinado horário, todos os carros que participam do evento vão para a pista, fazer um desfile, uma performance, sempre com critérios de seleção e controle. A gente desperta todos os sentidos, não fica só no visual. Hoje, tem a facilidade dos food trucks, desperta também o paladar. As feiras estáticas estão muito mais para os encontros de carros, dos clubes, das associações, que realmente fazem o dia a dia do antigomobilismo no nosso país.

AP: Mas para fazer evento em autódromo você tem que contar com a parceria do município. Foi fácil conseguir isso?

RC: Não tenho do que reclamar em Londrina. É um pouco burocrático o processo, mas se começar com um tempo de antecedência dá certo. Eu já estou com o alvará do evento na minha mão. Além do seguro de responsabilidade civil, que é uma obrigação do evento, todas as pessoas que vêm nos comboios oficiais, de São Paulo e de Cascavel, têm seguro de vida que cobre desde quando ela sai de casa até o dia que ela volta. É uma preocupação que eu tenho.

AP: Quantos carros você espera reunir este ano?

RC: Acho que vamos atingir cerca de 300 carros. Um pessoal de Santa Catarina está vindo este ano, de São Paulo, de Mato Grosso, de Cascavel e Foz do Iguaçu, Curitiba e das cidades próximas, como Arapongas, Apucarana e Bandeirantes.

AP: Quais são os critérios para participação do veículo?

RC: Não tem critério. O Motor Show respeita que cada carro tem sua história. Nós somos da Associação Veículos Históricos, mas não é um histórico de tempo, a gente respeita que cada carro, a partir do momento que sai zero da concessionária, para o brasileiro ele começa a contar uma história. Existiu um esforço para comprar aquele carro, é um sonho. O brasileiro tem muito dessa identidade com o carro e a gente respeita isso, então todos os carros são bem vindos. Obviamente que o Motor Show, por si só, atrai carros customizados, mas nosso culto é o universo a motor.

 

 

AP: No material de divulgação vocês falam sobre transformar Londrina na “capital a motor” do Brasil. O que seria isso?

RC: Isso é um projeto que o Motor Show tem de ter uma cidade no País que respire o universo a motor por um período. Ano passado a gente apresentou este projeto para a Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), para a política de Londrina, de não concentrar as atividades do Motor Show somente no Autódromo, de fazer com que a cidade respire o evento em um final de semana, assim como acontece na ExpoLondrina. Meu sonho é que uma concessionária, um dia, faça um pacote de vendas de um carro e anuncie “Vá ao Motor Show comprar tal carro que você terá uma condição especial”, como acontece na exposição. Esse ano a gente já vai ter um show de abertura no Teatro Mãe de Deus, na sexta-feira, numa tentativa de potencializar um outro ponto. Vamos potencializar também o Pier Santa Monica como bar oficial do evento. Quem sabe numa próxima edição teremos diversos pontos, para que venham pessoas do Brasil inteiro para Londrina e tenham uma atividade, assim como o Festival de Teatro é para Curitiba.

AP: Londrina tem potencial para isso?

RC: Sim, nós temos autódromo, Centro de Eventos, a Sociedade Rural. Eu já estou começando a tentar trazer o Encontro Sul Brasileiro de Veículos Antigos para Londrina em 2020. Através da Associação Veículos Históricos já estou registrando nossa carta de intenção. Cada ano o encontro acontece em uma cidade do Sul: este ano, em Curitiba; ano que vem, no Rio Grande do Sul; 2019 em Santa Catarina e, em 2020, volta ao Paraná. O Sul Brasileiro é um evento tradicionalíssimo e minha ideia é trazer para a Rural, no mesmo período do Motor Show. Então teria o encontro na Rural, Motor Show no Autódromo, show no Teatro (temos a possibilidade de fazer um festival de música rockabilly, três noites), aí fazer encontro no Aterro (do Lago Igapó). Buscamos o envolvimento da cidade, por isso a ideia de transformar Londrina na capital a motor.

AP: Você já teve conversas com o governo atual sobre isso?

RC: Com a prefeitura não levamos adiante porque a gente precisa de um período de maturação do projeto dentro da cidade, que vai acontecer agora. Depois de dois anos você consegue, através de uma lei municipal, oficializar o evento dentro do calendário do município, o que já é, para nós, um grande passo, porque a gente consegue ter a possibilidade de captação de recursos via leis de incentivo federal, estadual e até municipal. Mas a Fundação de Esportes já está ciente do projeto, a Codel também, o Convention (Londrina Convention Bureau), órgão aqui de Londrina que ajudou muito o Motor Show para que o projeto venha a crescer, porque isso traz turismo para a cidade. A nossa ideia é potencializar a cidade.

AP: Em que outras cidades do País acontece o Motor Show?

RC: O Motor Show passa a ser um evento itinerante. Ele ainda tem sede em Curitiba, mas vai ter uma evolução lá para feira de negócios. Temos confirmado para o ano que vem Camboriú, em março; Curitiba, em agosto; já está quase certo Rio de Janeiro em dezembro; em março de 2019 vamos para o Beto Carrero e a gente volta para uma versão dentro de pavilhão em Curitiba, em 2019. Após a edição deste ano em Londrina vamos ver se a gente mexe alguma coisa, se faz adaptação de data, se faz a cada dois anos, porque também não temos tanto projetos novos para mostrar todo ano, talvez fique cansativo. E nossa ideia é que o público possa sempre ver coisas diferentes.

Cecília França

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