Atualidades

Devemos comemorar o fim do Inovar-Auto?

(COLUNA ORIGINALMENTE PUBLICADA NO SITE AUTOS GIROS)

Por Cecília França

O Inovar-Auto deve ser encerrado oficialmente no próximo dia 31 de dezembro, para alegria do setor de importados. Durante cinco anos, o programa procurou nacionalizar e fomentar a indústria automobilística, e, para isso, criou barreiras quase intransponíveis para quem queria trazer veículos de fora. O limite de importação de 4.800 carros/ano levou algumas marcas a reverem seus planos para o País e outras a erguerem plantas próprias por aqui. Ponto positivo.

No entanto, veio a crise econômica, o fim da isenção de IPI e as vendas de veículos despencaram, deixando muitas dessas plantas ociosas, provocando desemprego no setor por reduções de turnos e fechamentos de concessionárias.

BMW

A BMW abriu fábrica no Brasil durante a vigência do Inovar-Auto. Foto: Divulgação

A Organização Mundial do Comércio (OMC) se manifestou recentemente contra o Inovar-Auto por entender que ele impede a livre concorrência entre nacionais e importados. Entre outras coisas, a OMC condena a taxação em 30 pontos percentuais extras de IPI para quem importa acima das 4.800 unidades limite.

Este posicionamento da organização deu uma certa ideia de que o programa já vai tarde, mesmo tendo seus méritos. Suponhamos que o Rota 2030, que deve substituir o Inovar-Auto como política para o setor, derrube os limites e taxas extras para importação, levando o segmento de importados a emplacar quase 200 mil veículos, como já ocorreu no passado, o consumidor deve ser penalizado com preços mais altos?

Pode ser uma comparação simplória, mas vejamos o exemplo recente do Nissan Kicks, que estreou no Brasil em julho de 2016 importado do México por R$ 89.900. Um ano depois, nacionalizado, ele passou a custar a partir de R$ 70.500, em versão menos equipada.

Claro que se trata de uma estratégia da montadora trazer primeiro o importado topo de linha e vendê-lo bem para só então estrear as versões mais em conta, mas talvez parte do público que adquiriu a versão importada haveria de se interessar pelas nacionais de entrada ou intermediária, economizando assim alguns reais.

Esta situação deixa claro que apesar da tão almejada redução nos preços não se materializar como gostariam os consumidores, a nacionalização amplia o leque de versões disponíveis para quem busca um carro zero. Com o Rota 2030, ao que parece, também serão beneficiados veículos e marcas que investirem em economia e redução de emissões. Desta forma, ganha o consumidor, já que mesmo os importados estarão sujeitos a tais regras.

Quanto à redução do IPI extra, o governo parece ter acenado com queda de 30% para 10%. Prudente. Diminui a restrição sem escancarar as fronteiras. Veremos quando o Rota será oficialmente divulgado e como reagirá o mercado. Na teoria, ganharemos em qualidade e tecnologia; na prática, teremos carros mais econômicos e limpos? O exemplo que tivemos com o Inovar-Auto nos leva a supor que avançaremos na rota pretendida (com o perdão do trocadilho), mas não na velocidade que gostaríamos.

Um pensamento sobre “Devemos comemorar o fim do Inovar-Auto?

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