Atualidades/Mobilidade

De Norte a Sul, aplicativos dinamizam transporte de passageiros

Cecília França

Para quem considera as tarifas de táxi salgadas e se ressente da falta de qualidade do transporte público, os aplicativos de transporte individual de passageiros, como Uber e 99 Táxis, se tornaram ótimas opções de deslocamento. Pesquisa recente do CONECTAí, ferramenta de pesquisas online do Ibope Inteligência, mostra que 57% dos brasileiros conectados têm apps de transporte, sendo Uber o mais utilizado (54%), seguido por 99 (12%), Easy Táxi (5%) e Cabify (4%).

Ex-moradora de São Paulo, a gerente de projetos Soraya Lopes, 33, vive atualmente em Brasília. Na capital paulista, começou a usar o Uber rotineiramente. “Hoje eu uso mais Uber mesmo, táxi é muito raro. Estou morando em Brasília e aqui é caro e quase não tem. Ônibus não tem integração com metrô”, explica. Segundo ela o metrô atende apenas metade do seu caminho para o trabalho e no restante, vai de Uber.

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Soraya em uma de suas viagens de Uber

Soraya diz que não compensava financeiramente ter carro próprio em São Paulo, já em Brasília, acredita que teria menos gasto. Porém, como não gosta de dirigir, acaba conseguindo equilibrar as contas de outras formas.

“De carro eu levaria 20 minutos (para chegar no trabalho) e de Uber + metrô levo 40. Aqui não pago estacionamento, e como é plano, não se exige muito do carro. Se usar Uber todo dia fica salgado, mas me viro bem com caronas e tal”, detalha.

Segundo a pesquisa do CONECTAí, o perfil médio do usuário do Uber é homem, tem entre 25 e 34 anos, mora no Nordeste e pertence às classes A e B. Já na 99, os usuários mais assíduos são da classe A e moram na região Sudeste.

No Norte

O músico acreano Dito Bruzugú, 27, tem carro próprio mas quase não usa por ser muito antigo e dar muito gasto. Desde a entrada do Uber na capital do Estado, Rio Branco, ele aderiu ao aplicativo. “Prefiro gastar com o Uber do que consertando carro. E também sou meio preguiçoso para dirigir. O Uber me possibilitou não ter que dirigir e pagar um preço justo”, conta.

O aumento recente no preço dos combustíveis também incentivou a mudança, conta Dito, que colocou os gasto na ponta do lápis. “Ainda fica mais barato pagar o combustível do que usar o Uber, só que ter um carro acarreta outras coisas, tem que dar manutenção e tal”, completa.

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O músico acreano Dito Bruzugú

Mesmo assim, o músico espera ser contemplado em um consórcio em breve, tirar um carro zero quilômetro e se ver livre da manutenção por um tempo. “Ter um carro em Rio Branco ainda é imprescindível, porque às vezes o Uber está lotado, ou muito longe, acaba deixando um pouco na mão”.

De acordo com ele, o transporte público também não contempla suas necessidades.

“Não utilizo transporte público porque as linhas são bem ruins e o bairro onde moro tem apenas dois ônibus de 45 em 45 minutos, ou de 30 em 30 em horários de pico. Eu tenho uma renda que consigo investir nessa comodidade de não utilizar”, diz.

Londrina

A jornalista Patrícia Alves mora em Londrina e gasta, mensalmente, cerca de R$ 350 com transporte. Ela considera ter carro próprio um investimento desnecessário e, há anos, se desloca a pé, de táxi ou, mais recentemente, de Uber. Para ela, não ter carro significa fazer bem ao meio ambiente e, de quebra, economizar.

O transporte público seria uma alternativa ainda mais barata, no entanto, Patrícia acumulou experiências ruins no passado. “Na época de faculdade desmaiei três vezes no ônibus em horário de pico por causa da lotação e tive celulares roubados pelo mesmo motivo, inclusive nas ocasiões de mal estar. Então peguei aversão a lugares lotados e transporte público”, relata.

Além do Uber, atuam em Londrina os apps 99 Táxis e Easy Táxi, além dos aplicativos das associações locais de taxistas, Táxi Londrina e 43 (testamos alguns deles e escrevemos sobre aqui). Os apps das associações estão, inclusive, dando descontos para concorrer com o Uber – leia mais aqui.

Há rumores de que o Cabify também esteja para entrar em Londrina, no entanto, em contato com a empresa recebemos a seguinte resposta: “Ainda não temos previsão para chegar em Londrina; fique atenta ao nosso Facebook, assim que pudermos iremos anunciar por lá.”.

Carona

Patrícia Alves não tem restrições quanto à segurança do uso de aplicativos de transporte. Tanto que, nas últimas férias, foi de Londrina a Sorocaba de BlaBlaCar, um app de caronas interestaduais. Além de economizar, esta modalidade de viagem permite que ela leve sua cachorra, o que seria inviável em um ônibus.

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“A pessoa vai fazer a viagem de carro, publica os dados e quanto fica para rachar. Aí você reserva lugar, combina encontro e lugar onde ficar”, explica. A jornalista confia na segurança do aplicativo, já que, segundo ela, tanto caronista quanto caroneiro passam por um cadastro rigoroso.

“Para pegar ou oferecer a carona tem que mandar cópias dos seus documentos pessoais, para ser uma conta verificada”, diz.

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Fomos de Uber

Fizemos uma corrida de cerca de 5 quilômetros a bordo de um carro do Uber na última semana e fomos informados, logo de início, que pagaríamos entre R$ 10 e R$ 13 por ela – acabou nos custando R$ 11. A previsão de que o carro chegaria em 3 minutos, no entanto, acabou frustrada porque nossa rua não foi localizada pelo GPS do motorista (ele nos mandou mensagem pedindo ponto de referência e acabou chegando em 8 minutos).

A viagem foi tranquila e o motorista educado. Sem se identificar, ele nos contou que havia entrado no Uber há apenas três semanas, indicado por outro motorista. Este, recebeu R$ 200 pela indicação. “Este prêmio já foi de R$ 800, agora como a demanda aumentou, está tendo muito carro, eles baixaram o valor”, detalha.

Em Londrina, as exigências para o carro limitam-se a ser 4 portas, ter ar condicionado e ser, no mínimo, de 2008.

 

Ao final da corrida, o motorista pediu que não deixássemos de classificá-lo pelo app. A avaliação de 1 a 5 estrelas serve para controle de qualidade da empresa, pois o motorista que receber 4,7 três vezes seguidas é obrigado a passar por uma reciclagem e, em caso de reincidência, pode ser suspenso. A avaliação inversa também acontece, ou seja, o motorista classifica o cliente, o que colabora para a segurança dos trabalhadores.

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