Antigos/Londrina

Um Opala de família

O Opala 1973 está na família do advogado Tony Alves desde que saiu zero quilômetro da concessionária da Chevrolet em Londrina, conduzido por seu avô materno, Jair (Deolindo) Meneghelli. Em 1990, quando o patriarca, neto de imigrante italiano, faleceu, o clássico veio parar nas mãos de Alves como que por predestinação.

Neto primogênito de Meneghelli, ele foi o único capaz de abrir a porta do carro por conta daquele “joguinho”, comum em carros antigos. Foi como uma versão moderna da lenda de Excalibur, na qual o Rei Artur ganha a posse da espada após conseguir tirá-la da pedra.

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A chegada do Opala à família de Alves está viva até hoje na memória de sua mãe, Maria de Lourdes, conforme ele relata: “Minha mãe lembra como se fosse que, ao lado do Paulo (irmão), em um dia de chuva, foi buscar o Opala com o meu avô. Eles passearam, foi uma festa”. O modelo deixou sua marca também na infância de Alves.

“Eu tinha nove anos, achava lindo o carro”, relembra. “Até me emociono porque estou dirigindo um carro que foi do meu avô”. O neto optou por preservar o desgaste do tempo na lataria do Opala. No capô, a pintura encontra-se gasta pelo sol e outras intempéries. A única mudança realizada por Alves foi no câmbio, que era manual sistema americano, em razão de estar “encavalando muito” e vir a quebrar um “dente” do câmbio, já que 30 anos atrás não se encontravam peças para conserto. A alavanca para troca de marchas saiu da coluna de direção para o assoalho.

O Opala de Alves é equipado com motor 4 cilindros 2.5L que, originalmente, rendia 76 cv de potência a 3.800 rpm e 18 kgfm de torque a 2.600 rpm.

Hoje, o Opala é usado apenas em encontros e exposições. Alves não parece querer restaurá-lo e nem tem ambições de pleitear a placa preta (concedida a veículos que preservam cerca de 80% das peças originais). Para ele, o desgaste do tempo também faz parte da história do automóvel.

“As pessoas vão embora, mas fica a história e mantém-se materializada através do carro antigo”, resume.

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O Opala

Chamado de projeto 676, o Chevrolet Opala demorou cerca de dois anos para ser concluído e apresentado no VI Salão do Automóvel de São Paulo, em 1968. Ele combinava a carroceria alemã da Opel com a mecânica norte-americana do Impala. Fabricado ao longo de 23 anos em São Caetano do Sul, contou com duas opções de motores, 4 ou 6 cilindros, tanto para as versões básicas quanto nas de luxo ou esportivas.

Nascida como Standard, a versão Especial, como a de Alves, recebeu este nome em 1973 e contava com acabamento mais simples e freios a tambor. Em 1980, esta versão básica seria representada apenas como Opala, permanecendo até 1985, quando seria rebatizada Opala L. Com o lançamento da linha 1988, a linha Opala receberia as mesmas terminologias da linha Monza. Os modelos básicos foram rebatizados, passando a serem denominados Opala SL/Caravan SL.

 

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