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Do Fuscão Preto ao Camaro Amarelo: carro, amor e música

(COLUNA ORIGINALMENTE PUBLICADA NO SITE http://www.autosgiros.com.br)

Esta colunista adora escrever sobre carros, mas também adora música, então, uni os dois em uma coluna para encher os olhos e ouvidos. Me limitei a músicas nacionais, ok?

Talvez o “Fuscão Preto” seja o veículo mais famoso da música brasileira. Porém, muitos anos antes dele estourar nas rádios, em 1982 (a música é mais antiga, mas ganhou notoriedade nesta versão de Almir Rogério), a Jovem Guarda já havia nos agraciado com alguns sucessos em que o carro era o astro ou, no mínimo, o companheiro do garoto papo-firme que arrasava com os brotos. Caso da inesquecível “O Calhambeque”, que Roberto Carlos entoava em 1964.

Se voltarmos um pouco mais no tempo, até as antigas modas de viola, encontraremos carros em dezenas de letras, mas não estes de quatro rodas, os de boi. Era o que se tinha na vida rural e já naquela época o meio de transporte representava ou associava-se a sentimento caros, como a saudade e o amor pela terra, em letras cheias de amargura.

“Meu véio carro de boi, pouco a pouco apodrecendo/ Na chuva, sor e sereno, sozinho, aqui desprezado/ Hoje ninguém mais se alembra que ocê abria picada/ Abrindo novas estrada, formando vila e povoado”, cantavam Tonico e Tinoco.

fuscao

Sim, o Fuscão Preto também virou filme tendo Xuxa no elenco

Carros foram e são temas de músicas nas suas mais variadas facetas. Na Jovem Guarda, além do Calhambeque que acabou por desbancar o Cadillac, Roberto “vinha voando” no seu carro quando viu pela frente, na beira da calçada, um broto displicente. Seguiu-se, então, uma série de contravenções até ele ser parado pelo guarda em “Parei na Contramão”.

“Arranquei à toda e sem querer avancei o sinal/ O guarda apitou”. Mesmo após a Jovem Guarda os carros continuaram a ser cantados pelo rei, ainda que implicitamente, sem nomes, para transmitir a sensação de liberdade associada à velocidade, caso de “120, 150, 200 km por hora” e de “As curvas da estrada de Santos”.

calha

Lembra da nossa primeira coluna, quando falamos do carro como sonho de consumo? Pois Wilson Simonal cantava o tema lá na década de 1960, com seu “Carango” (“Ninguém sabe o duro que dei/ Pra ter fon fon/ Trabalhei, trabalhei/ Pra ter fon fon/ Trabalhei, trabalhei”). Apenas alguns anos depois, o mesmo Simonal gravava “Mustang cor de sangue”.

“A questão social, Industrial/ Não permite e não quer/ Que eu ande a pé/ Na vitrine um Mustang/ Cor de sangue…/ Tenho um novo ideal, Sexual/ Abandono a mulher/ Virgem no altar/ Amo em ferro e sangue/ Um Mustang Cor de sangue…”. Seria a letra uma metáfora para a infidelidade amorosa ou uma crítica à sociedade capitalista de consumo? Seria “Mustang…” a nossa “Mercedes Benz”? Fica a pergunta.

carango

Já na década de 1990, um outro clássico da indústria automotiva fez história na música, de maneira bastante divertida. “Pelados em Santos”, dos Mamonas Assassinas, elevou a Brasília amarela a outro patamar. Ao resgatar o clássico da Volkswagen, ainda que de maneira jocosa, em letra e clipe, a banda acabou por eternizá-lo. Ou vocês já viram festa de formatura e casamento em que não toque o sucesso dos Mamonas?

Mais recentemente, o sertanejo universitário voltou a focar nos carros, com uma abordagem, digamos, de gosto duvidoso: feitos para “pegar” mulher (quem enjoou de ouvir “Camaro Amarelo” no rádio levanta a mão!). Tá certo que Roberto Carlos bem que já usava o “carango” para impressionar os brotos…

“E agora eu fiquei doce igual caramelo/ Tô tirando onda de Camaro amarelo/ E agora você diz: vem cá que eu te quero/ Quando eu passo no Camaro amarelo”. O carrão da Chevrolet é associado a uma ferramenta de conquista, assim como a Land Rover em “Fiorino”:

“De Land Rover é fácil, é mole, é lindo/ Quero ver jogar a gata no fundo da Fiorino”. Deve ser complicado…

Trilha sonora

Começa uma música que você gosta no rádio, você aumenta o volume e canta batucando no volante do carro. Quem nunca? Além de inspirar músicas, carros também são espaços musicais para muitos de nós. Mas será que existe música perfeita para essa ocasião?

Perguntei aos meus amigos no facebook “Qual a melhor música/banda para ouvir alto no carro?” e as respostas foram diversas, mas com o rock dominando. Foram quase 30 comentários e, levando em conta o número de citações, AC/DC parece ser uma bela trilha sonora para dirigir. Do lado nacional, Raul Seixas e Engenheiros do Hawaii.

Para agradecer de forma fofa a todos que participaram, juntei um trecho de cada sugestão para criar a letra abaixo, que bem pode ser uma declaração para alguém ou – por que não? – para o seu possante de estimação.

Para quem não conseguir identificar a origem dos versos, resposta abaixo.

 

“Você me faz correr demais

Os riscos desta highway (1)

No stop signs, speedin’ limit

Nobody’s gonna slow me down (2)

I am a man who walks alone

And when I’m walking in a dark road (3)

Tú eres el imán y yo soy el metal

Me voy acercando y voy armando el plan (4)

 

When I’m drivin’ in my car

And that man comes on the radio (5)

You don’t have to worry, ‘cause you have no money

People on the river are happy to give (6)

 

Every inch of sky’s got a star

Every inch of skin’s got a scar

I guess you’ve got everything now (7)

So I’ll tell you all the story about the joker and the thief (8)

 

And the sign flashed out it’s warning

In the words that it was forming (9)

Eu acho que paguei

O preço por te amar demais (10)

Mas eu vou te proteger

Esse seu sorriso é o combustível pra eu viver (11)

 

I wanna know

Have you ever seen the rain? (12)

Through the storm, we reach the shore

You gave it all, but I want more

And I’m waiting for you (13)

 

É chato chegar ao objetivo num instante (14)

I’m on the highway to hell

On the highway to hell (15)

You’re never there

You’re never ever ever there” (16)

(1) Infinita Highway, engenheiros do Hawaii. (2) Highway to Hell, AC/DC. (3) Fear of the dark, Iron Maiden. (4) Despacito, Luis Fonsi. (5) (I can’t get no) Satisfaction, The Rolling Stones. (6) Proud Mary, Creedence Clearwater Revival. (7) Everything Now, Arcade Fire. (8) The joker and the thief, Wolfmother. (9) The sound of silence, Simon & Garfunkel. (10) Estranha Loucura, Alcione. (11) Pra sempre com você, Jorge e Mateus. (12) Have you ever seen the rain?, Creedence Clearwater Revival. (13) With or Without you, U2. (14) Metamorfose Ambulante, Raul Seixas. (15) Highway to hell, AC/DC. (16) Never There, Cake.

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