Atualidades/Automóveis/Londrina

O carro nosso de cada dia

(COLUNA ORIGINALMENTE PUBLICADA NO SITE http://www.autosgiros.com.br)

Meu filho de oito meses balança freneticamente as perninhas, querendo descer do colo, a cada carro que passa. Motos, caminhões, ônibus… quanto maior ou mais barulhento o veículo, mais intensa a reação. Por vezes, nosso passatempo da tarde consiste em ficar na esquina observando o vai-e-vem da rua. Pudera – poderão dizer -, sendo menino deve passar o dia ao som da mamãe acelerando e freando suas dezenas de carrinhos de brinquedo. Só que não. Por incrível que pareça, o único brinquedo de rodas dele é um caminhão de bombeiro, presente da avó, que ele balança, tira as rodas e bate contra o chão. Ele não foi induzido a gostar de carro, mas gosta.

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Joaquim e seu adorado caminhão de bombeiro

Quando me convidaram para compor a editoria de Veículos da Folha de Londrina, no final de 2013, fiz várias ponderações, dentre elas, a relevância do tema. Confesso: tirando o Fusca, eu precisava ler o nome nas traseiras dos carros para saber de qual se tratava. Acostumada a escrever sobre questões sociais e economia, eu me perguntava a quem interessaria minhas matérias de veículos. Não seria exagero dizer que descobri um mundo novo quando aceitei o desafio.

Relação intensa

Nunca havia parado para pensar na relação das pessoas com seus veículos, no número de variáveis envolvidas na escolha de um carro novo, nas histórias que cada proprietário vive com seu veículo. Vendo tudo isso constatei o óbvio: carros fazem parte da nossa vida de forma tão intrínseca quanto o cafezinho da manhã. Eles funcionam como uma espécie de extensão da nossa casa, um lugar onde nos sentimos completamente à vontade e apartados do mundo exterior. Aproveitamos o tempo encapsulados em suas cabines para pensar na vida, cantar alto e retocar a maquiagem.

Embora o panorama esteja mudando, carros continuam sendo objeto de desejo entre os brasileiros. Pesquisa do SPC Brasil, de 2015, revela que o veículo próprio ainda é o terceiro maior sonho de consumo da população, atrás apenas de viagens internacionais e nacionais. Mas por que eu digo que o panorama está mudando? Por conta da Geração Y. Os chamados millenials (nascidos após 1990) já não se interessam tanto em ter o primeiro carro aos 18. Talvez porque não precisem se transportar para estar perto, levando em conta a tecnologia de que usufruem.

O futuro

Mas e aí, ninguém mais vai comprar carro? Não é o caso. A questão é: que carro irão comprar? Possivelmente, não os movidos a combustão que ainda reinam hoje.

Montadoras e empresas de tecnologia estão mobilizadas na busca pelo “carro do futuro”. Quando meu filho (Geração Z?) alcançar os 18 continuará precisando se deslocar, só não sabemos como o fará. Qual tipo de veículo o deixará tão animado quanto agora no colo da mamãe? Carro elétrico, movido a energia alternativa, autônomo? Neste espaço, vamos conversar, semanalmente, sobre estas e outras questões concernentes ao setor automotivo nosso de cada dia. Ainda teremos altos papos em busca das respostas.

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