Automóveis

Cadê o novo Fusca?

(COLUNA ORIGINALMENTE PUBLICADA NO SITE http://www.autosgiros.com.br)

Em fevereiro de 2014 a Volkswagen lançou o compacto up! com grandes ambições. Participei da apresentação para a imprensa e o clima era de otimismo entre os executivos e, confesso, também entre os jornalistas. A montadora ambicionava fazer dele um novo Fusca, ancorada no design simples e simpático – com destaque para o “sorriso” formado pelas lanternas e para-choque dianteiros – e no motor 1.0 três cilindros, que garantia a economia esperada.

“Vejo como o Fusca do futuro. São dez cores externas e 48 combinações possíveis para detalhes e espaço interno. Por ser simples, ele se presta bem a customização”, declarou à época, Luiz Alberto Veiga, designer da Volkswagen. Na prática, o up! substituiria o Gol como carro de entrada da montadora. O objetivo era vender 10 mil unidades/mês. E ele chegava ao mercado referendado por três títulos importantes: notas máximas em segurança e economia e menor custo de reparo. Tinha tudo para dar certo.

 

Avô X neto

Ícone da indústria automotiva nacional, o Fusca liderou o mercado por 23 anos, de 1959 a 1982. Para se ter uma ideia do sucesso, em 1968, ele vendeu 123 mil unidades, número cinco vezes maior que o do segundo colocado. Obviamente estamos falando de um mercado muito menor, com baixa oferta de modelos.

O up!, a despeito de todos os prós, foi apenas o 16° carro mais vendido do País no ano de seu lançamento, com 58.895 unidades emplacadas*. Em 2015, subiu duas posições, mesmo emplacando menos (como todos os demais, diga-se de passagem): 53.548. No ano passado, fechou em 15°, com 38.354 unidades e, em 2017, de janeiro a maio, está no 18° lugar, com 15.009 emplacamentos. Os primos Gol e Fox vendem mais que ele.

Fusca 1968

No ano de 1968 (ano do modelo da foto) o Fusca vendeu 123 mil unidades Crédito: Regina Aranda

 

Por que não “vingou”?

A resposta para o up! não ter alcançado o sucesso merecido por tantos atributos repousa, claramente, no interior tímido em equipamentos apresentado a consumidores cada vez mais exigentes no quesito tecnologia embarcada. Na versão de entrada, ele não oferecia ar condicionado nem direção elétrica; o painel não contava sequer com conta giros.

Um bom exemplo da primeira impressão deixada pelo up! em alguns consumidores é a do meu marido. Após um teste drive ele sentenciou: o bom motor não compensa a precariedade do interior, frágil e pequeno. Argumentei, destacando os predicados do modelo – como a agilidade do motor turbo que ele dirigira – e a economia; porém, nada o fez mudar de ideia.

Em busca da reação

Três anos após seu lançamento, o up! recebe uma reestilização que pode mudar sua história. Apresentado pela Volkswagen em abril com cabine mais sofisticada, o compacto teve a gama de versões reduzida – a versão “pelada” e as de duas portas saíram de linha – e ele deixa de ser o carro de entrada da montadora, posição ocupada, novamente, pelo Gol. Como pretende a campanha publicitária em curso, um teste neste up! retocado objetiva fazer com que consumidores como meu marido “desachem” que o compacto não merece uma chance.

 

Mas, afinal, mesmo considerando uma reação do up!, seria possível, no mercado atual, o primeiro colocado em vendas emplacar cinco vezes mais que o segundo, como fez o Fusca em meados da década de 1960? Certamente a VW não contava com isso, mas esperava que o up! deslanchasse e fosse a primeira escolha dos brasileiros para o primeiro carro, assim como fora o saudoso Fusquinha. Não aconteceu com ele e dificilmente acontecerá com outro nesse mercado onde há mais de 850 modelos a disposição. Fosse simples alcançar tal feito, o Fusca não seria inesquecível.

*Dados da Fenabrave (automóveis e comerciais leves)

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