Antigos/Londrina

O entusiasta de Hot Rods

Não existem regras rígidas para se construir um Hot Rod. Comumente, o projeto inclui rodas largas na parte traseira e teto rebaixado, mas também pode ter motor a mostra e pintura desgastada, mais rústica, os chamados “rat rods”. Independentemente da adaptação escolhida para a carroceira, todas as vertentes contam com algo em comum: a potência dos motores, fonte de fascínio entre os entusiastas da cultura custom. Dentre eles, o mecânico Braz D’Aquino Júnior, de Londrina.

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O mecânico em sua oficina, na zona Sul de Londrina

D’Aquino fez o primeiro curso na área automotiva aos 15 anos, no Senai. Hoje, ganha a vida com conserto e customização de motos e carros antigos, mas já mexeu com trator, fez réplicas de clássicos e trabalhou em uma revenda da Harley-Davidson nos Estados Unidos.

“Voltei de lá com o intuito de montar uma oficina só de Harley, mas não tinha mercado. Então, resolvi mexer com carro antigo, fazer restaurações”, relembra D’Aquino, que já colecionava raridades. Foi nesse período que o mecânico notou uma onda Hot Rod chegando ao Brasil e se interessou pelo estilo, a ponto de diferenciar as diversas vertentes.

“O mais tradicional é da corrente Old School, carros dos anos 1940-1950; depois, tem os clássicos, com bastante cromado e evocando performance; temos também os high-tech, mais modernos, e os rat hods, mais rústicos”, elenca, destacando que a variação de estilos é enorme, respeita a capacidade financeira do dono, mas sempre será um carro veloz.

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Hot Rod acima foi montado sobre o chassi de um Chevrolet 1933 e tem motor 5.7 de Cherokee. Conhecido por ter três janelas, já que o vidro da parte traseira também por ser baixado como os laterais, o modelo antigo foi reproduzido em fibra de vidro e ganhou detalhes ao gosto do freguês, como as saídas de escapamento que lembram pernas de aranha. Chegou assim para D’Aquino mexer na parte mecânica.

“Ele tem um compressor em cima que praticamente dobra a potência, alcança quase 400 cv”, conta o mecânico. O modelo tem pneus largos que extrapolam a caixa de roda, ao contrário de outro Hot Rod que D’Aquino está criando para ele mesmo e segue a linha Old School. Ainda na fase de montagem da carroceria, o veículo terá a lataria azul, pneus finos e emblemas cromados da Ford nas calotas. Tudo sobre um chassi de um modelo 1932 da marca.

Planos

D’Aquino revela o desejo de trabalhar apenas com a criação de Hot Rods, embora aponte dificuldades de mercado. Ele destaca o investimento necessário para construí-los e, ainda, a paciência, já que um projeto pode levar de um a três anos, dependendo das condições. Para ele, a cultura de Hot Rods foi mais assimilada em capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, embora Londrina tenha uma cena interessante de antigomobilismo.

“Aqui ainda não se assimilou muito essa cultura. Existe um pouco de preconceito com carro de fibra de vidro, de que não é resistente. Se fizer com lataria tem um pouco mais de aceitação”, afirma. Ele avalia que esta desconfiança seja um estigma persistente desde a década de 1970, quando veículos como o buggy, de fibra de vidro, davam muito problema.

“Eles não tinham a manutenção correta. Hoje não, nos EUA usa-se muito a fibra de vidro. O Corvette é feito dela até hoje e é um carro de alto desempenho”, explica D’Aquino, defendendo a resistência do material. “Tudo depende da maneira como é construído o carro”.

Outros projetos

A oficina de D’Aquino abriga, também, outros projetos interessantes de customização, como um Mercedes 1951, com motor a diesel de Audi, caixa de câmbio da picape Amarok, sistema de freios de Mercedes e suspensão de Omega. Os bancos foram retirados de um BMW e contam com ajustes elétricos.

“Para pensar nas peças ideais, primeiro temos que ver o tamanho do carro, o peso, o desempenho esperado e o que se encaixa mais na segurança. É um carro exclusivo”, destaca o mecânico.

Outro projeto que D’Aquino ainda pretende realizar é a réplica de um Aston Martin DB4 GT Zagato, um cupê de corrida que teve apenas 19 unidades manufaturadas. Para este trabalho, ele partirá de uma miniatura para fazer o desenho em escala e reproduzir a carroceria em fibra de vidro. Um verdadeiro trabalho de artesão.

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Aston Martin DB4 GT Zagato. Foto: Wikipedia

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